O
que lhes parecem os meus olhos?
Uma
pitada de sofrimento,
Uma
gota de tristeza,
Um
choro inacabado?
A
que choro?
Choro
a este lugar,
A
vida que a mim foi imposta,
Choro
a minha terra.
O
que os meus olhos não revelam,
Meu
choro revela.
Revela
as marcas em minhas costas,
As
correntes em meus punhos,
A
senzala em que estou.
Meu
choro revela o sofrimento
De
ontem, hoje e amanhã,
Revela
porque tenho que, todos os dias,
Moer
a cana-de-açúcar.
Mas
meus olhos não...
Não
me aponta como um escravo,
Me
aponta como um ser humano
Igual
àquele a quem sou subordinado.
E
não importa se amanhã vou morrer pelos grilhões,
Pelo
tiro do feitor,
Ou
pelo trabalho a mim designado.
E
não importa se amanhã vou receber minha alforria,
Minha
liberdade
Ou
as sortes para o mundo.
Não
Importa!
Nossos
olhos são iguais,
Mas
nossos choros me faz ficar nessa senzala
Esperando
que um dia
Reconheçamos
nossos olhos.
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