quarta-feira, 20 de junho de 2012

Meus Olhos, Meu Choro


O que lhes parecem os meus olhos?
Uma pitada de sofrimento,
Uma gota de tristeza,
Um choro inacabado?
A que choro?
Choro a este lugar,
A vida que a mim foi imposta,
Choro a minha terra.

O que os meus olhos não revelam,
Meu choro revela.
Revela as marcas em minhas costas,
As correntes em meus punhos,
A senzala em que estou.
Meu choro revela o sofrimento
De ontem, hoje e amanhã,
Revela porque tenho que, todos os dias,
Moer a cana-de-açúcar.
Mas meus olhos não...
Não me aponta como um escravo,
Me aponta como um ser humano
Igual àquele a quem sou subordinado.
E não importa se amanhã vou morrer pelos grilhões,
Pelo tiro do feitor,
Ou pelo trabalho a mim designado.
E não importa se amanhã vou receber minha alforria,
Minha liberdade
Ou as sortes para o mundo.
Não Importa!
Nossos olhos são iguais,
Mas nossos choros me faz ficar nessa senzala
Esperando que um dia
Reconheçamos nossos olhos.

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