quarta-feira, 20 de junho de 2012

Por que?


Por que fazer a guerra
Se a paz está tão perto?
Por que brigar com o seu pai
Mesmo quando ele está certo?

Por que passar por um amigo
E não o cumprimentar?
Por que insistir numa mansão
Se tudo o que basta é um lar?

Por que criticar a todos
E se esquecer de agir?
Por que viver se preocupando
E se esquecer de sorrir?

Por que viver a vida
Apenas criando confusão?
Por que pensar só na beleza
Se o que importa é o coração?

Por que é que o nosso mundo
Está do jeito que está?
Por que nas nossas atitudes
Não começamos a repensar?

Por quê?

Meus Olhos, Meu Choro


O que lhes parecem os meus olhos?
Uma pitada de sofrimento,
Uma gota de tristeza,
Um choro inacabado?
A que choro?
Choro a este lugar,
A vida que a mim foi imposta,
Choro a minha terra.

O que os meus olhos não revelam,
Meu choro revela.
Revela as marcas em minhas costas,
As correntes em meus punhos,
A senzala em que estou.
Meu choro revela o sofrimento
De ontem, hoje e amanhã,
Revela porque tenho que, todos os dias,
Moer a cana-de-açúcar.
Mas meus olhos não...
Não me aponta como um escravo,
Me aponta como um ser humano
Igual àquele a quem sou subordinado.
E não importa se amanhã vou morrer pelos grilhões,
Pelo tiro do feitor,
Ou pelo trabalho a mim designado.
E não importa se amanhã vou receber minha alforria,
Minha liberdade
Ou as sortes para o mundo.
Não Importa!
Nossos olhos são iguais,
Mas nossos choros me faz ficar nessa senzala
Esperando que um dia
Reconheçamos nossos olhos.

Deitado sob os Escombros


 Lá estava eu no Vietnã
Lutando com os vietcongs
Quando vi um jovem soldado
Deitado sob os escombros
Das ruínas de uma casa queimada.
Não havia velas, nem caixão, nem flores
Que lhe indicasse sua morte
Salvo o rubro sangue que escorria do seu rosto.
Ah! Que tristeza será para a família
Ao ver os soldados voltando,
Feridos e acabados
Sem o jovem rapaz.
Que doloroso será
Ver mais um que não foi à faculdade por causa da guerra.
E o rapaz...
Quantos sonhos e planos?
Quantas emoções e sentimentos?
Está tudo acabado.
A guerra venceu
E o impeliu a morrer.
E lá está ele, deitado sob os escombros
Das ruínas de uma casa queimada,
Abandonado pela guerra, pelo mundo, pela vida.

E eu,
Sou apenas um jovem soldado
Deitado sob os escombros
Das ruínas de uma casa queimada.